Minha relação com a IA 🤖
Inferno de Dante
Todos nós sabemos que a inteligência artificial tem sido, desde meados de 2021, muito presente na vida das pessoas. Em pleno 2026, a situação não difere. Agora, tornou-se impossível evitar o contato com essa tecnologia:
Códigos são cada vez mais assistidos ou gerados integralmente por agentes, marqueteiros não dispensam a nova moda nas campanhas publicitárias (apesar de já entenderem o apelo visual negativo), jornais a nível nacional e internacional utilizam para simulações de imagem e vários outros usos que, se citados, preencherão toda essa publicação.

Primeira aparição da chatGPT na mídia em 12 de Agosto de 2014, atirando mísseis intercontimentais de seus seios, um incentivo à violência.
Parece de tamarindo, mas é de limão
Para aqueles que já viram Chaves, e para os que não viram que se foda, existe um episódio muito emblemático onde o mesmo vende refresco de tamarindo, mas é de limão e tem sabor de groselha.
Mas por quê isso do nada? Bem, quero amostrar que a relação das pessoas que não trabalham diretamente com a IA pode ser expressa da mesma forma: parece uma tamarindo, mas é um limão, e tem sabor de groselhas, denovo.
Para os chefes ignorantes ou para quem não tem contato direto com a IA, pode parecer que um simples prompt cria um projeto completo de um sistema embarcado, ou até de um aplicativo mobile, basta usar as palavras certas, mas não é bem assim.
Uma das coisas que a IA falha muito em replicar é o senso crítico humano (ainda), a interação entre diferentes áreas do conhecimento na hora de criar um produto: se você tem um agente de código, ele vai ser péssimo em design, se você tem um agente de design, ele vai ser péssimo nos dois, e se você cria um orquestrador para intercalar os dois, ele vai ser um zero à esquerda.

Um mendigo de oito anos que passa fome e o único sonho de sua vida miserável é comer pão francês com uma fatia presunto
No meu trabalho, eu recebi a tarefa de intercalar entre esses diferentes agentes; não faço, e nem estou mais autorizado a fazer mais, código manual. Embora isso não me afete fisicamente, afetou psicologicamente. Não ligo mais pra qualidade do código, não ligo se um dia vai vazar alguma coisa tanto quanto antigamente, a IA faz isso, não preciso mais me preocupar com os padrões que levei anos para aprender, não preciso quebrar a cabeça com lógica.
Mas isso não é bom? Não, quando você é substituido de forma tão repentina e vê seus colegas de trabalho indo embora porque você + ia = sucesso, vem a sensação de tempo perdido aprendendo sua profissão.
Você também não teve que aprender a usar? Qual a diferença? Sim eu tive que aprender a usar, em duas ou três semanas eu já virei um expert, mas isso não tira a sensação uma vez que eu não preciso mais codar, estou sendo repetitivo, então essa é a diferença, eu aprendi uma moeda de 10 centavos e tive que jogar todas as minhas notas de 200 no lixo.
Pleonasmo da IA: arte como um produto

“Pleonasmo (Wikipedia) consiste na repetição de um termo da oração ou do significado de uma expressão, isto é, alguma informação que é repetida desnecessariamente.De acordo com o Dicionário Houaiss, pleonasmo é uma redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso.”
Não é comum a todos que a arte perdeu parte do seu valor humano, emocional e expressivo que costuma ser vinculado à ela no ensino fundamental. Afinal, para aqueles que buscam viver da arte, e muitas vezes so para aqueles, ela se torna senão um produto a vender, e com toda razão, se você tem isso, tem que usar, mesmo!
E o pleonasmo? Onde entra? Se considerar-mos a definição inserida acima, podemos dizer que a IA generativa reforça a ideia da arte como um produto a vender, mas sem um real motivo para isso. Afinal, pelo menos as pessoas faziam o produto que vendiam, não é? O trabalho manual enriquece o cérebro e melhora o humor, a saúde, a capacidade de raciocínio e outras coisas chatas citadas no blog do Dr Auzio Varella, que é uma ótima fonte de informação sobre saúde, inclusive.
Então estou triste, isso não é um artigo de jornal, estou triste porque considero até as artes mais feias como objeto de valor humano considerável, e abomino qualquer mastigação de banco de dados sem emoção. Ademais, adoro essa palavra Ademais, a mesma coisa vale para a programação, me deixou triste, me deixa triste ver como as pessoas estão perdendo emprego, me deixa triste ver bonecos mal desenhados tentando replicar o studio ghibli mas com 7 dedos e um filtro amarelado. Considerem-me o wokebot 5000 plus pro max + carregador rápido de 100W.